domingo, 3 de março de 2013

Diário de Campanha - ADnD


O Pântano dos Lagartos

Personagens
Davyon de Daggerford - mago invocador humano
Thórik Ironeater - guerreiro/ladino anano
Corwin - Guardião meio-elfo

Era uma manhã de outono em Daggerford, como tantas outras, e nossos heróis Davyon, Corwin e Thórik foram chamados até o hospital de Sta. Merowyna para uma tarefa simples: buscar ervas medicinais com um herborista do povoado de Cromm's Hold a pedido de Irmão Dunn, boticário do hospital.

Um serviço bastante banal, e que eles executavam rotineiramente, como uma forma de pagar pelos serviços dos frades, que haviam tratado de muitos de seus ferimentos e ossos quebrados, resultado de sua vida como guardas de caravana e, anteriormente, membros da milícia do burgo.

A apenas duas horas de distância, Cromm's Hold é um minúsculo povoado que cresceu à sombra do Forte Cromm, um castelo construído à beira do Pântano dos Lagartos e entregue a família Cromm pelos Duques de Daggerford há três gerações, como agradecimento por seu auxílio em repelir invasões de selvagens homens-largarto do pântano.

A viagem foi tranqüila até as cercanias do povoado, quando os heróis viram que algo estava errado: colunas de fumaça escura subiam aos céus e um forte cheiro de queimado pairava no ar. Cautelosamente, Corwin desceu da carroça e foi à frente, para averiguar o que estava acontecendo. Ao chegar no povoado, ele viu casas em chamas, pessoas e soldados feridos e alguns homens-lagarto mortos, resultados de uma batalha recente.

Sem perigo aparente, o mago e o anano chegaram logo em seguida. Valen, o herborista, estava fazendo curativos em soldados feridos, enquanto outros, em uma brigada de incêndio improvisada cordenada por soldados tentavam salvar as casas em chamas.

Corwin logo procurou o oficial encarregado do local, Capitão Higg, que lhes contou o que ocorrera: logo ao raiar do dia, um bando de homens-lagarto, com os corpos cobertos de tatuagens negras, atacara o povoado, matando pessoas, incendiando casas e pilhando armas e tudo que pudesse ter algum valor. A milícia local conseguiu repelir o ataque por um tempo, mas havia muitos invasores. A situação parecia perdida até que o Barão Lorren Cromm chegou de uma caçada, acompanhado de seu filho mais velho e alguns soldados. Isso virou a maré contra os invasores, que fugiram de volta para o Pântano. Porém, a batalha teve um desfecho trágico: Wallen, filho mais velho do Barão, foi morto em batalha. Tomado pela fúria, o Barão reuniu alguns soldados a cavalo e partiu no encalço dos homens-lagarto, decidido a trucidá-los e vingar seu ataque. Desde então, não havia notícias dele.

Vendo que os soldados estavam ocupados em acudir a população, e com poucos homens à disposição, nossos heróis colocaram-se à disposição do oficial, que prontamente perguntou-lhes se poderiam fazer um favor à Baronesa: ir atrás do Barão no Pântano e trazê-lo de volta em segurança e, se possível, tentar descobrir o que motivou o ataque inesperado dos homens-lagartos, que não deixavam seu lar no pântano há várias décadas.

Nossos heróis concordaram em ajudar, e com três cavalos emprestados partiram em direção ao Pântano dos Lagartos.


O Pântano dos Lagartos é um marisma, um pântano de água salobre que alaga conforme o movimento das marés. É também uma região bastante selvagem, habitada por diversas espécies exóticas de répteis terrestres e alados, alguns deles grandes o suficiente para matar um homem adulto. Caniços crescem por toda parte, ocultando trilhas naturais e perigos como atoleiros e areia movediça.

O terreno macio apresentava vários rastros que Corwin seguiu com facilidade. A trilha os levou até uma clareira, onde o trio aproveitou para para comer algo e planejar suas próximas ações. Nesse momento, porém, eles tiveram contato com um dos grandes predadores que habitam o pântano: um réptil bípede, de escamas verde-escuras e garras e dentes afiadíssimos, com cerca de dois metros de altura, que surgiu de dentre os caniços que margeavam a clareira. Faminto ou defendendo seu território, a criatura não hesitou em atacar os três heróis, e investiu contra Thórik.

O anano não se deixou intimidar, e de machado em punho arremeteu em direção ao grande lagarto. A criatura o derrubou com sua cauda, e partiu para o ataque. Davyon disparou um projétil mágico, que acertou a criatura na face, e Corwin disparou uma saraivada de flechas (uma das quais acertou Thórik por acidente!).

Porém o anano logo se levantou, e desferiu um potente golpe no pescoço do lagarto, que quase caiu morto, sendo abatido em seguida por uma flecha do guardião.

Após o combate, os três perceberam que a criatura trazia outros ferimentos, provocados por lanças e virotes de besta - armamentos típicos dos soldados da milícia do Forte. Como a trilha continuava na direção de onde o réptil viera, provavelmente a criatura havia cruzado com o grupo do Barão Cromm. Antes de prosseguir, porém, Davyon, fascinado pela criatura, a qual chamou de "dragão do pântano", quis alguns minutos para examinar o corpo e recolher partes para futura análise.

Nesse momento os três perceberam que, assustados com o ataque do "dragão do pântano", dois dos três cavalos fugiram em disparada.

Seguindo a trilha a pé, os três chegaram a outra clareira, onde encontraram uma cena de batalha: um "lagarto do pântano" morto, cercado por carcaças de cavalos e os corpos de quatro homens vestindo as túnicas azuis da milícia de Daggerford. Caído de bruços em uma poça d'água, um homem com armadura de couro e roupas caras, certamente o Barão Cromm.

Corwin, que foi à frente, logo correu para o corpo do Barão. Ao virá-lo de costas, ele viu que o Barão tinha um horrendo ferimento no abdome. Lorren, porém, não estava morto ainda. Com o que restava de suas forças, ele segurou o guardião pela roupa, e sussurrando lhe pediu para que recuperassem seu anel e o entregassem a seu filho. Foram as últimas palavras do Barão antes de morrer.

Enquanto cobriam o corpo do Barão e examinavam o local para tentar compreender o que acontecera, um grupo de homens-largarto surgiu silenciosamente em meio à vegetação local, obervando-os à distância. Porém, estes traziam marcas diferentes daqueles que atacaram o povoado - ao invés de escamas pintadas de preto, esse grupo tinha o dorso, as mãos e partes da cara pintadas de vermelho. Dois deles aproximaram-se calmamente e saudaram os heróis, como se quisessem conversar.

Reticentes e assustados, os heróis retornaram o gesto, e Davyon aproximou-se e iniciou um diálogo. Para surpresa geral, um dos dois homens-lagarto - um xamã, pela aparência - respondeu em língua-franca, ainda que com forte sotaque sibilante. Nessa conversa, eles descobriram que o xamã chamava-se Saartakk, e representava a tribo dos Garras Rubras. Eles não tinham contato com humanos e tampouco desejavam guerra. Ele explicou, também, que as ações da tribo à qual ele se referiu como "Escamas Negras" eram prejudiciais a todos os homens-lagarto, pois podiam causar uma guerra entre eles e os humanos, como no passado. Ele não poderia ajudar os heróis diretamente - isso poderia ser mal-visto pelas outras tribos do pântano - mas se eles quisessem lidar com os Escamas Negras diretamente, os Garras Rubras não se oporiam.

Após receber garantias que o trio havia vindo ao Pântano apenas para lidar com os Escamas Negras e não queria guerra com os homens-lagarto, Saartakk lhes apontou o caminho para encontrar a outra tribo, dando-lhes permissão para cruzar o território dos Garras Rubras.

Após se despedir, os heróis retomaram a trilha. Corwin, sempre a frente, foi o primeiro a avistar meia-dúzia de Escamas Negras em um elevação. Os homens-lagartos estavam separando o produto da sua pilhagem, separando armas e outros itens valiosos, e descartando utensílios que lhes eram inúteis, como panelas.

O grupo, então, decidiu armar uma emboscada. O guardião os atacaria sorrateiramente com flechas, e depois os atrairia na direção dos outros dois. Em silêncio, Corwin se posicionou entre os caniços altos, e disparou suas flechas, mudando de posição rapidamente para confundir os homens-lagartos e evadir suas zagaias. Quando foi avistado, partiu pela trilha com as criaturas em seu encalço. O primeiro tropeçou em uma armadilha feita pelo mago, e Corwin e Thórik deram cabo dos demais. Na elevação, eles encontraram uma tapeçaria que trazia o Forte, armas, alguns objetos de ouro - incluindo uma adaga com o brasão da família Cromm - e o anel do Barão.

Juntando os objetos e enrolando-os na tapeçaria, eles voltaram pelo mesmo caminho, onde pegaram o corpo do Barão e voltaram pra o Forte, enquanto o sol se punha no horizonte.

Chegando em Cromm's Hold, os heróis viram mais soldados no povoado, provavelmente reforços vindos de Daggerford.

Dirigindo-se ao castelo, eles procuraram Capitão Higg e a Baronesa Aelyssa, para quem contaram suas aventuras no pântano, suas suspeitas de que os Escamas Negras estavam tentando provocar uma nova guerra com os humanos, bem como seu contato com os pacíficos Garras Rubras. Davyon entregou o anel nas mãos de Coryn, filho caçula do Barão, e Corwin entregou a adaga à Baronesa, que lhe disse que a mesma pertencera a seu falecido filho.

Após a Baronesa se retirar, Capitão Higg lhes agradeceu a ajuda, e os indicou a pequena estalagem do povoado, o Ninho do Tordo, dizendo que iria escrever um relatório para apresentar ao Duque Pedrick de Daggerford.

Cansados mas com sensação de dever cumprido, nossos heróis se dirigiram à estalagem para descansar e passar a noite.

Continua na próxima aventura











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