quarta-feira, 5 de junho de 2013

Diário de Campanha - ADnD


Os apuros de Grog - parte I

Personagens
Davyon de Daggerford - mago invocador humano
Thórik Ironeater - guerreiro/ladino anano
Sir Aron Thorne - paladino e cavaleiro-andante

Nossa aventura começa na vila de Waterstone, em Daggerford. Como tantas outras vilas do Ducado, seus habitantes - fazendeiros, pescadores e artesãos em sua maioria - levavam uma vida quieta e tranqüila. Esse cenário mudou drasticamente a seis meses atrás, quando um meio-ogro chamado Grog mudou-se para a vila, comprou uma velha taverna e a reabriu com o nome de Taverna do Meio-Ogro.

A Taverna logo ganhou reputação além de Waterstone pela qualidade de seus serviços e seus preços módicos, principalmente entre os aventureiros da região, que até então nunca haviam mostrado interesse na vila.

Em qualquer cidade grande ou que dependesse de comércio, como aquelas que são cortadas pela Estrada das Caravanas mais ao sul, o influxo de dinheiro trazido pela taverna seria bem-vindo. Mas em uma vila pacata como Waterstone, o empreendedorismo de Grog provocou o efeito contrário.

A maioria dos moradores não se sente confortável em ter um grupo de "monstros" vivendo na vila. Ainda que Grog e seus empregados sejam gentis e comedidos, a má reputação dos ogros e meio-ogros como bestas selvagens e a falta de contato dos aldeões com não-humanos é suficiente para causar repulsa em grande parte das pessoas. Junte isso ao fato da Taverna do Meio-Ogro ser freqüentada principalmente por aventureiros e forasteiros e está formada a receita do desastre.

Para agravar ainda mais a situação, há alguns meses uma série de crimes, até então desconhecidos na vila, vem afligindo a cidade: furtos e arrombamentos de casas e estabelecimentos comerciais, pessoas assaltadas à noite e todo tipo de vandalismo.

Por medo ou preconceito (ou ambos), a maioria dos aldeões está culpando Grog e seus empregados pelos crimes - ou, pelo menos, os freqüentadores de seu estabelecimento.

A situação tornou-se tão insustentável que o alcaide e o conselho da vila farão uma assembléia em sete dias para decidir se Grog poderá permanecer em Waterstone - e a menos que o meio-ogro reúna provas de sua inocência, é praticamente certo que ele será expulso.

É em meio a este cenário de tensão que surgem nossos heróis.


Sir Aron Thorne, um paladino e cavaleiro-errante recém-sagrado, que estava de passagem pela região à procura de um bom lugar para passar a noite, resolveu pernoitar na Taverna do Meio-Ogro e foi o primeiro a chegar naquele frio final de tarde de outono. Para surpresa do jovem cavaleiro, o "meio-ogro" não era apenas um nome: Grog o recebeu pessoalmente à porta, mostrando-se um anfitrião atencioso e educado, providenciando-lhe uma mesa próxima à lareira central.

Thórik e Davyon chegaram pouco depois; Thórik ouvira sobre a taverna de Grog ainda em Daggerford, e após a aventura no Pântano dos Lagartos convençeu o mago Davyon a acompanhá-lo até Waterstone - afinal, nas palavras do anano, "não há nada melhor que uma boa cerveja após uma aventura".

O local não era luxuoso, mas era melhor que a maioria das tavernas típicas de pequenas vilas, e a comida e a cerveja eram excelentes. O salão comum estava bastante cheio, e sua atmosfera amigável destacava-se pela atitude dos freqüentadores, que acompanhavam os músicos do salão em uma cantoria entusiasmada. Principalmente Thórik, que ficava mais e mais entusiasmado a cada caneca de cerveja preta...

Em um dado momento, um machado e um escudo, expostos como troféus em uma das paredes do salão comum, chamaram a atenção de Sir Aron. Grog, vendo que o jovem cavaleiro admirava as armas, aproximou-se e puxou conversa, contando que tinha adquirido os objetos em sua época de aventureiro a muito tempo atrás.

Segundo o meio-ogro, os objetos pertenciam a um líder de um clã de gigantes do gelo que mantinham escravos trabalhando em uma mina de ouro no extremo norte do continente. Grog e seu grupo de amigos enfrentaram os gigantes, libertaram os escravos e assumiram a mina por um tempo, contratando os antigos escravos como trabalhadores. Porém, a natureza errante de Grog falou mais alto, e ele voltou à vida de aventureiro.

Muitos anos (e muitas outras aventuras) depois ele decidiu que era hora de sossegar e realizar um velho sonho: abrir uma taverna para viajantes e aventureiros, escolhendo Waterstone por ser residência de um de seus melhores amigos e antigo companheiro de aventuras, o guardião Sydon Bearclaw.

Após muita música, conversa e cervejas, Grog ofereceu algumas opções de acomodação aos nossos heróis: desde a mais barata (o quarto comum) à mais cara, o luxuoso "Quarto dos Aventureiros".

Davyon e Thórik estavam com pouca prata nos bolsos, e o prospecto de dormir no salão comum com os ébrios não parecia muito agradável. Reconhecendo Sir Aron como nobre por suas vestes e seus modos, Davyon tentou então bajular Sir Aron com magia e palavras, crendo que assim o jovem cavaleiro aceitaria dividir um quarto melhor - o mago então lançou alguns truques simples: a lareira central faiscava e cuspia labaredas coloridas, as roupas do cavaleiro brilhavam com luz suave, destacando-o na multidão, ao mesmo tempo que Davyon tecia elogios rasgados à nobreza de Daggerford.

Sir Aron pareceu desconfiado com as ações do jovem mago e, sendo um paladino, resolveu utilizar sua habilidade de perscrutar intenções. Apesar de não ter detectado malícia no mago, o olhar penetrante do jovem paladino perturbou Davyon de tal modo que ele resolveu por bem dormir no quarto comum, em meio aos roncos ensurdecedores de Thórik, enquanto o paladino ficou com um quarto no andar superior.

Durante a noite, porém, todos foram acordados por gritos, barulhos e cheiro de fumaça vindo de fora da taverna. Sir Aron acordou sobrassaltado, e ao olhar pela janela de seu quarto viu que a estrebaria da taverna estava pegando fogo, e Grog e outras poucas pessoas corriam apressadamente trazendo água do rio para apagar o incêndio.

Aron correu prontamente para fora, e encontrou-se com Davyon e Thórik. Além de Grog e de outros dois meio-ogros que trabalhavam na taverna (Shod, o estribeiro, que estava tirando os cavalos da estrebaria, e Bogue, o leão-de-chácara) apenas outras quatro pessoas estavam ajudando - a maioria dos moradores apenas observava o incêndio a uma certa distância.

Um dos homens, que parecia estar no comando, prontamente ordenou aos três que ajudassem a combater o incêndio, que foi debelado em alguns minutos.

O homem, então, agradeceu a ajuda dos forasteiros e apresentou-se como Sydon Bearclaw, capitão da guarda de Waterstone. Grog, por sua vez, também agradeceu a ajuda de seus hóspedes que ainda ficaram no local por um tempo, tentando auxiliar o capitão a encontrar alguma pista, mas sem sucesso.

Na manhã seguinte, Grog convidou os três para o desjejum na companhia do Capitão Sydon, e explicou seu problema aos heróis, pedindo sua ajuda para tentar encontrar o responsável (ou responsáveis) pela onda de crimes, a fim de limpar seu nome e permitir que ele pudesse ficar em Waterstone - afinal ele não tinha mais nada a perder, e forasteiros talvez pudessem obter uma nova perspectiva. Grog também disse que lhes daria "uma pequena recompensa pelo seu tempo e esforço". Capitão Sydon concordou com a idéia, e deu permissão aos três para que investigassem o caso, desde que usassem de tato e discrição com as pessoas da vila.

No primeiro dia de sua investigação, nossos heróis conseguiram apurar os seguintes fatos:

- A guarda local consiste tão somente do Capitão Sydon e dois jovens guardas, Leiff e Randall. Waterstone sempre foi uma vila pacífica, sem maiores incidentes, exceto por uma briga ocasional na taverna Adaga de Pedra, ou Jon (o bebum da vila) perturbando a paz ocasionalmente. A vila não possui magos e apenas um anano, o canteiro Maxall Stonehand.

- Jon, o bebum, é freqüentador da Adaga de Pedra, e nunca vai à Taverna do Grog - segundo ele contou a Thórik, o ogro e seus amigos comem criancinhas, que eles guardam no porão.

- O único incidente de nota já ocorrido na vila foi um incêndio no templo seis anos atrás, que matou duas pessoas: a esposa do Capitão Sydon e o sacerdote da vila. Valin, o atual pároco, é filho do sacerdote morto no incêndio e não acredita que os eventos estejam relacionados.

- A onda de crimes começou a seis meses atrás, pouco depois de Grog inaugurar sua taverna. Algumas lojas foram furtadas, pessoas foram assaltadas à noite, um barco foi sabotado, grãos têm desaparecido do moinho - além do incêndio na estrabaria ocorrido naquela noite.

- Além da taverna do Grog, a cidade tem outros dois estabelecimentos: a Taverna Withan, comumente chamada de "Velha Taverna", a mais antiga da cidade e freqüentada pelos moradores mais antigos; e a Adaga de Pedra, uma estalagem mantida por Yoren Kineron, rival direto de Grog nos negócios.

- Muitos moradores, principalmente os mais antigos, culpam Grog, direta ou indiretamente, pela onda de crimes. Aqueles que não o culpam não estão muito felizes em ter humanóides morando na cidade.

- Ao conversar com Saeven, um humano que trabalha na taverna de Grog, eles souberam sobre um rapazola de nome Merik, conhecido na vila por suas e suas peças e travessuras. Apesar de serem incovenientes, suas brincadeiras nunca machucaram ninguém.

- Em seis dias haverá uma reunião do conselho da cidade para decidir se Grog e seus empregados poderão ficar na cidade. O conselho está dividido: Sydon, Valin e Logen (o ferreiro) estão a favor de Grog. Yoren e Tommen (o tanoeiro) são contra. O alcaide Wynton, Berik (dono do armazém local) e Maxall (o canteiro ainda não se decidiram – mas é provável que se a inocência de Grog não for provada, eles votem pela expulsão.

Continua na próxima sessão




2 comentários:

  1. Ogres são legais! Meio-ogres é que não dá pra confiar mesmo, rsrs...

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