segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Tornando-se um cavaleiro


A figura do cavaleiro é um dos símbolos mais fortes do imaginário medieval, normalmente associada a um ideal romantizado de honra, fé e nobreza.

Os primeiros cavaleiros surgiram entre os francos no século VIII como soldados que lutavam a cavalo, tendo a mobilidade em campo de batalha como sua principal vantagem sobre seus inimigos. Nos dois séculos seguintes, a cavalaria se espalhou por toda a Europa, e os cavaleiros tornaram-se guerreiros de elite, com papel crucial nas guerras medieval e nas Cruzadas. A partir do século XII, a cavalaria tornou-se sinônimo de posição social e nobreza menor, e os cavaleiros eram chamados em latim de milites nobiles, distinguindo-os dos milites gregarii (soldados de cavalaria que não eram parte da nobreza).

Tornar-se um cavaleiro era um processo longo e árduo, e normalmente restrito às classes nobres, principalmente devido ao custo do equipamento, que incluía armas, armadura e principalmente um cavalo, porém jovens plebeus poderiam tornar-se pajens ou escudeiros.

O processo mudou e evoluiu bastante ao longo dos séculos, mas pode ser resumido da seguinte forma:

Por volta de 7 anos de idade, o menino de linhagem nobre era mandado pelos pais para os domínios ou castelo de outro cavaleiro para tornar-se pajem ou valete e iniciar seu treinamento. Além de servir aos senhores e damas da família, o menino aprendia a montar, caçar e a ler e escrever, além de ter aulas de boas maneiras, religião, latim e jogos de estratégia, como xadrez e gamão. Nesse período eles também aprendiam a manejar lanças e espadas, treinando com armas de madeira.

Com cerca de 12 ou 14 anos, o pajem era promovido a escudeiro. Seus deveres consistiam em auxiliar seu senhor em campo de batalha, ajudando-o a vestir a armadura, servindo suas refeições e cuidando de suas armas e seu cavalo. Como escudeiro, o jovem aprendia heráldica e as regras e códigos da cavalaria, e continuava aperfeiçoando seu treinamento eqüestre  e iniciava seu treino com armas e amaduras reais. Ele também era integrado à vida social da corte ou castelo, e aprendia etiqueta, música e dança. 

Normalmente um escudeiro serviria nessa posição até completar 20 anos de idade antes de ser sagrado cavaleiro, embora aqueles que mostrassem bravura no campo de batalha pudessem ser sagrados antes desse período.

Quando tivesse idade suficiente - normalmente aos 20 ou 21 anos - o jovem que tivesse recursos financeiros suficientes para custear seu equipamento e fosse considerado digno por seu senhor seria sagrado cavaleiro.

Inicialmente a cerimônia de sagração consistia apenas de um tapa no rosto ou ombro do jovem, acompanhada de uma admoestação para que o novo cavaleiro sempre se portasse com valentia, honra e nobreza. A partir do século XI, porém, a cerimônia tornou-se mais elaborada. Abaixo há um exemplo de cerimônia de sagração:

Na noite anterior à cerimônia o jovem, sozinho, vestido com mantos brancos e vermelhos, iniciaria uma vigília de oração e jejum em uma igreja ou na capela do castelo, e pela manhã ele participaria de um ofício religioso (normalmente uma missa). Em seguida, em uma cerimônia pública diante da corte, seu padrinho ou madrinha entregaria sua espada e escudo a seu senhor, que conduziria a sagração, tocando seus ombros com a espada, dizendo "Eu te faço cavaleiro em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, de São Miguel e de São Jorge. Sê valente, destemido e leal"; o jovem, por sua vez, faria seu juramento diante de seu suserano, e em seguida um banquete ou festa seria oferecido em homenagem ao jovem cavaleiro.

Para saber mais:
http://www.medieval-life.net/chivalry.htm

http://www.middle-ages.org.uk/middle-ages-knights.htm

http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/cavaleiro-medieval-434424.shtml




domingo, 29 de setembro de 2013

Diário de Campanha - ADnD


Os apuros de Grog - parte II

Personagens
Davyon de Daggerford - mago invocador humano
Thórik Ironeater - guerreiro/ladino anano
Sir Aron Thorne - paladino e cavaleiro-andante

 Em seu segundo dia em Waterstone, nossos heróis decidiram investigar mais a fundo alguns crimes cometidos recentemente na vila, e sua primeira parada foi o moinho, de onde grãos foram roubados recentemente.

Conversando com Sayer, o moleiro, eles confirmaram que vários sacos de grãos haviam sido roubados do moinho, sempre à noite. O mais curioso, porém, é não havia sinais de arrombamento - os ladrões pareciam entrar e sair do moinho por mágica.

Intrigados, eles resolveram vasculhar o moinho de cima a baixo em busca de alguma passagem ou entrada oculta, e acabaram encontrando uma enorme fenda no piso de madeira do moinho, próximo ao local onde os sacos de grãos eram armazenados. Removendo algumas tábuas, eles encontraram uma caverna natural, que decidiram explorar.

Munidos de lanternas e armados, os heróis desceram até a caverna para explorá-la. Logo viram que não se tratava de uma simples caverna, mas uma série de túneis naturais que se alastravam por baixo da vila. Seguindo um rastro de grãos, nossos heróis chegaram aos "ladrões" de grãos - um grupo de ratos gigantes que fizera um ninho nas cavernas. As asquerosas criaturas não tardaram a atacar ferozmente nossos heróis, mas foram derrotados após um rápido combate.

Após lidar com o problema dos ratos, o trio passou a explorar o complexo de cavernas, descobrindo várias saídas - uma delas para o Rio Rutilante, outra em um barranco fora dos limites da vila e duas coisas curiosas: uma porta de madeira trancada, que parecia selar a parte oeste das cavernas, e um pequeno túnel artificial, que terminava em uma passagem secreta que se abria dentro de um poço.

Ao voltar à superfície, os três explicam ao moleiro a causa dos roubos. Muito agradecido, Sayer oferece pagar o jantar dos heróis na Taverna do Withan, o que eles aceitam prontamente. Durante o jantar, nossos heróis aproveitaram a oportunidade de conversar e socializar com alguns de seus freqüentadores, pescadores e fazendeiros, em sua maioria.

Nestas conversas, Sayer e outros fazendeiros mencionaram os assaltos que vinham ocorrendo na vila - várias pessoas desacompanhadas foram atacadas e roubadas na calada da noite, normalmente voltando de uma das tavernas para suas casas. Além disso, o moleiro lhes contou um fato incomum: um grupo de halflings, originários da região do Lago Hînmere, estava visitando seu moinho periodicamente para moer seus grãos, embora ele não soubesse o que poderia levá-los a procurar um moinho tão longe de sua aldeia.

Após o jantar, Davyon e Aron decidiram visitar a Adaga de Pedra para tentar obter mais informações. Entrando sozinho, o cavaleiro dirigiu-se ao salão, para conversar com os clientes, e conseguiu encontrar uma das vítimas de um assalto, que confirmou o que ele ouvira anteriormente. Davyon, que já havia estado lá no dia anterior, contando vantagem de suas aventuras no Pântano dos Lagartos, dirigiu-se ao balcão e pediu um vinho. Logo, três homens se aproximaram do mago, e em meio a risadas, pediram debochadamente ajuda ao "poderoso mago que derrotou os homens-lagartos" para lidar com "uns homens-peixe que estavam roubando sua pesca", para em seguida chamá-lo de mentiroso.

Incomodado com o escárnio, Davyon tentou fazer uma magia simples, mas antes que completasse o encantamento, um dos pescadores bateu em sua cabeça com uma caneca, interrompendo o feitiço. Antes que o episódio descambasse para uma briga Yoren interveio, acalmando os pescadores e censurando o mago, dizendo que seus freqüentadores não tinham paciência para fábulas. Sem ter muito o que fazer, o mago deixou a taverna; Aron partiu alguns minutos depois.

Juntando suas informações, nossos heróis, então, decidem que a melhor maneira que saber mais sobre os crimes seria encontrar o responsável (ou responsáveis) pelos crimes, e para isso decidem usar Davyon como isca para um assalto - o mago andaria pela vila, à noite, após o fechamento das tavernas enquanto Aron e Thórik observariam de longe.

Após algumas horas vagando por entre casas e árvores, duas figuras encapuzadas passaram a seguir o mago. Ao abordá-lo com porretes à mão, os dois guerreiros apareceram para confrontar os assaltantes, que fugiram prontamente em direções diferentes.

Sir Aron partiu no encalço de um deles, que após uma breve corrida decidiu não ter chance contra um cavaleiro bem armado, rendendo-se quase que imediatamente. O outro bandido foi perseguido pelo mago e pelo anano; para barrar sua fuga, Davyon o acertou com um projétil mágico e em seguida Thórik o golpeou com seu martelo de guerra, matando o assaltante (e sendo duramente repreendido por seus companheiros, que o queriam vivo).

Nossos heróis decidiram levar os dois para a Guarda e contar ao capitão Sydon suas aventuras do dia. Brock, o bandido capturado por Sir Aron, fora preso em uma cela, para ser interrogado no dia seguinte. Sobre os túneis, o capitão confirmou que foram fechados há muitas décadas atrás, depois que uma criança morreu no local - ele mesmo conhecia as cavernas de seus tempos de menino, mas não se lembrava de passagens secretas ou portas, e ele e os heróis combinaram de investigar o local com mais calma durante a tarde do dia seguinte.

Continua na próxima sessão...