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quinta-feira, 28 de abril de 2022

Forgotten Realms - minhas mudanças na campanha

 

Bloodstone Lands - arte de Larry Elmore

 

Muito tempo atrás eu fiz uma postagem dizendo como mudei minha opinião a respeito de Forgotten Realms após ler a caixa cinza, isto é, a primeira edição do cenário, publicada em 1987 e ainda bastante fiel à visão de seu criador, Ed Greenwood.

Porém, até então eu nunca havia mestrado nenhuma campanha em Faerûn - normalmente eu usava al-Qadim, Dragonlance ou um cenário de fantasia próprio. Quando voltei a mestrar AD&D em 2019, resolvi utilizar o cenário, que venho utilizando desde então. 

Minha campanha se passa em 1357 DR, no Ano do Príncípe (em Forgotten Realms todos os anos do calendário recebem uma alcunha ou epíteto), exatamente um ano antes da data canônica da famigerada "Guerra dos Avatares", e ainda que eu tente ser o mais fiel possível ao cenário publicado, eu fiz algumas modificações, que gostaria de compartilhar com vocês:

  • A Guerra dos Avatares nunca irá acontecer em minha campanha, uma vez que detesto esses eventos apocalípticos e prefiro campanha episódicas e mais regionais. 
  • Não existem "escolhidos dos deuses" na campanha, e os NPCs famosos, se existirem, serão menos poderosos do que suas versões oficiais e pouco conhecidos - ou completamente desconhecidos - além das fronteiras das regiões onde residem. Por exemplo, Elmister é apenas o "Sábio de Shadowdale", um mago certamente poderoso e influente na Terra dos Vales, mas longe de ser o mago supremo e imortal que todos conhecem.
  • O panteão de Faerûn sofreu algumas mudanças. Por exemplo, incluí Kelemvor e Cyric como deuses da morte e da trapaça / loucura, respectivamente, ainda que eles tenham surgido no cenário posteriormente. Bane, Bhaal e Myrkul ainda estão vivos e atormentando a vida das pessoas. Fiz de Selûne uma deusa maior, e Sune uma deusa intermediária. Além de reescrever o mito da criação e as relações entre os deuses para que eles funcionem como um verdadeiro panteão ao invés de um mero "catadão" de divindades. 
  • Os famosos grupos dominantes antagônicos do cenário são mais perigosos e menos cartunescos. Por outro lado, quase sempre atuarão em nível regional. 
  • Inclusive alguns destes grupos tiveram sua motivação alterada. Um exemplo é o Culto do Dragão, que em minha campanha é uma religião de mistério que cultua Tyamat e pretende trazê-la a Faerûn após libertá-la de sua prisão infernal. Outro exemplo são Os Harpistas, em minha campanha uma organização de espiões bem menor e menos influente, com pouca atuação fora de Cormyr e da Terra dos Vales. 
  • Eu tentei diminuir ao máximo as analogias de culturas e povos da Terra que se tornaram tão comuns nos suplementos da 2 edição. Por exemplo, Mulhorand é uma nação sucessora de um antigo e decadente império; há influências egípcias, mas mais sutis; os habitantes de Anauroch são inspirados nos aiel (da série de livros Wheel of Time, de Robert Jordan), e não beduínos; e Chessenta é uma confederação de cidades-estado, e não um análogo da Grécia Antiga. E por aí vai.

 




 

 

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

O panteão de Faerûn (Forgotten Realms)


Esta postagem é minha tentativa de reorganizar o panteão de Faerûn em minhas campanhas em algo mais coeso e mais semelhante a uma religião panteônica, onde os deuses possuem maior interação e relações entre si.

Algumas notas importantes:

1. Em sua maioria, os deuses foram organizados em grupos de acordo com afinidades, alianças e áreas de atuação. Normalmente os deuses de um mesmo grupo atuam juntos para alcançar os mesmos objetivos.

2. Deuses menores não possuem templos, ordens e clérigos, sendo cultuados juntamente com os deuses a quem servem, com algumas exceções: Torm, Valkur, Milil e Shaundakul possuem clérigos e templos próprios, e vários rangers cultuam e recebem seus poderes de Mielikki ou Shaundakul.

3. Como regra geral, os deuses malignos listados abaixo não são cultuados publicamente em lugar algum de Faerûn. Seus cultistas e fiéis reúnem-se em seitas secretas, religiões de mistérios e templos ocultos.

4. Juntos, os doze deuses maiores de Faerûn formam o Círculo Divino. Este grupo não constitui um governo, mas sim uma assembléia que se reúne em tempos de grandes crises ou para debater questões de suma importância para esfera de Abeir-Toril.

5. Ainda que algumas pessoas possam ter devoção especial a alguns deuses em particular, como regra geral os habitantes de Faerûn cultuam a todos os deuses do panteão, conforme sua necessidade. Por exemplo, um fazendeiro pode cultuar Lathander e Chauntea, e propriciar Talos. Somente clérigos, paladinos e sacerdotes cultuam uma única divindade.

6. Em termos de jogo, existe uma diferença importante entre sacerdotes e clérigos. Sacerdotes são os NPCs que cuidam dos templos, ritos e congregações dos deuses, mais comuns e numerosos, e não têm acesso a magia divina. Clérigos (os specialty priests descritos no PH) são mais raros, e quase sempre são membros de ordens clericais especializadas das quais os PCs fazem parte.

7. Embora o campanha ocorra em 1357 DR, eu fiz algumas mudanças em relação aos deuses deste período: adicionei Kelemvor e Cyric, tornei Selûne uma deusa maior e Sune uma deusa intermediária, bem como mudei os alinhamentos de alguns deuses. 



DEUSES DA NATUREZA

Chauntea (deusa maior da agricultura, colheita e primavera, NG)

Silvanus (deus maior da natureza, N)
* Eldath (deusa menor das nascentes, rios, cachoeiras, lagoas e da paz, NG)
* Mielikki (deusa menor do outono e das florestas, NG)
* Auril (deusa menor do inverno, CN)

As três deusas que servem a Silvanus são chamadas de Filhas de Silvanus.


DEUSES DO FIRMAMENTO

Lathander (deus maior da aurora, criatividade, vitalidade, renovação e verão, NG)

Selûne (deusa maior da lua, estrelas e navegação, CG)
 


DEUSES PROTETORES, DA BOA FORTUNA E DA LEI

Helm (deus intermediário da proteção e vigilância, LN)

Ilmater (deus intermediário da misericórdia, caridade e resiliência, LG)

Tymora (deusa intermediária da boa fortuna, sorte e viagens, CG)
* Shaundakul (deus menor dos andarilhos, exploradores e caravaneiros, CN)

Tyr (deus maior da justiça e da lei, LG)
* Torm (deus menor do dever, lealdade, coragem, disciplina, auto-sacrifício, paladinos e cavaleiros, LG)
* Valkur (deus menor dos marinhos, navegantes e construtores de embarcações, CG)
* Siamorphe (deusa menor na nobreza, realeza e governantes, LN)



DEUSES DO CONHECIMENTO E DAS ARTES

Oghma (deus maior do conhecimento, N)
* Deneir (deus menor da literatura, filosofia, cartografia e escribas, NG)
* Gond (deus menor dos ferreiros e artesãos, N)
* Milil (deus menor da música, canções e poesia, NG)


OUTROS DEUSES
Os deuses abaixo não pertencem a nenhum grupo específico e são cultuados de maneira independente.

Kelemvor (deus maior da morte e juiz dos falecidos, LN)

Mask (deus menor dos ladrões, CN)

Mystra (deusa maior da magia, NG)

Sune (deusa intermediária do amor, CG)
* Lliira (deusa menor da alegria e da dança, CG)

Tempus (deus maior da guerra, N)
* Cavaleiro Vermelho (deus menor da estratégia, LN)
* Uthgar (deus menor da força, o destruidor de orcs e patrono dos bárbaros Uthgardt, CN)

Waukeen (deusa intermediária do comércio e da riqueza, N)


DEUSES DA FÚRIA
Estes deuses representam o lado violento e caótico da natureza e são normalmente aplacados ao invés de cultuados. Seus templos são raros e seus sacerdotes estão banidos e são repudiados na maioria dos lugares.

Talos (deus maior das tempestades, tornados e desastres naturais, CN com tendências malignas)

Umberlee (deusa intermediária do mar, NE)

Malar (deus menor das feras, da caça e dos licantropos malignos, CE)


DEUSES SOMBRIOS
Como mencionado acima, estes deuses não são cultuados publicamente em lugar algum de Faerûn - pelo contrário, seus sacerdotes e cultos são considerados ilegais em praticamente todo o continente. Ao contrário de serem aliados, estes deuses foram listados aqui meramente por conveniência, uma vez que raramente trabalham em conjunto.

Beshaba (deusa intermediária da má sorte, infortúnio e acidentes, CE)

Bhaal (deus intermediário do homicídio e morte, NE)
* Loviatar (deusa menor da tortura, tormento, agonia, dor e sofrimento, LE)
* Talona (deusa menor dos venenos e doenças, CE)

Cyric (deus intermediário da trapaça, mentira, falsidade e loucura, CE)

Myrkul (deus intermediário dos mortos-vivos, decadência, putrefação e degradação, NE)

Shar (deusa maior da escuridão e da noite, NE)


O CULTO DE BANE
Bane e seus servos são cultuados publicamente apenas em Mulmaster, Mourktar, Thay e em algumas cidades às margens do Mar da Lua.

Bane (deus maior da tirania e dos conflitos, LE)
* Iyachtu Xvim (deus menor das batalhas e comandante do Exército de Bane, LE)
* Gargauth (deus menor das traições e corrupção, LE)
* Hoar (deus menor da vingança, LN)





domingo, 24 de janeiro de 2010

Forgotten Realms - uma nova perspectiva



Quem jogou AD&D na década de 90 deve se lembrar da onipresença de Forgotten Realms. Posso afirmar que praticamente 75% das campanhas de grupos que utilizavam os cenários da TSR eram ambientadas em Faerûn, e quem nunca jogou neste cenário (há alguém?) certamente conheceu alguém que jogou. E tentar encontrar um grupo que preferisse Dragonlance ou Greyhawk era uma missão árdua.

Como sempre fui do contra e achava – e ainda continuo achando – que quase “toda unanimidade é burra” (há exceções), na época eu odiava Forgotten Realms. Não somente pelo fato de ser uma unanimidade entre os jogadores, claro, mas porquê o cenário apresentava graves defeitos: a religião não fazia sentido; a geografia não fazia sentido; havia características da Renascença e Era das Explorações convivendo com a Alta Idade Média ou a Antigüidade; o mundo estava cheio de NPC ultra-poderosos, que não passavam de um bando de “Mary Sues” literárias; a magia era banal; os vilões eram cartunescos e ridículos; sem falar de Elminster, que nunca passou de uma cópia cretina de quinta categoria do Gandalf. Para mim a popularidade do cenário era devida ao infinito número de suplementos e romances publicados, e não necessariamente à sua qualidade.

Quase tudo em Forgotten Realms me incomodava de um modo ou de outro. É verdade que havia algumas idéias e conceitos que eu achava geniais espalhados pelo cenário – mas, no geral, estavam enterradas em meio a um monte de bobagens.

Porém, ano passado tive a possibilidade de ler o primeiro cenário de campanha de Forgotten Realms, a famosa “caixa cinza”, publicada em 1987, ainda na 1ª Edição do AD&D, cuja capa ilustra este artigo. E, acredite ou não, mudei minha opinião – pelo menos em relação ao conceito original dos Reinos Esquecidos.

A campanha descrita na caixa cinza ainda estava fortemente ligada à visão original de seu criador, Ed Greenwood, que inicialmente concebeu Faerûn como um cenário fantástico com muitos portais mágicos que davam acesso a outros mundos, incluindo a Terra, e cujas lendas e mitos influenciaram (e, por sua vez, foram influenciados por) lendas e mitos desses mundos. Com o passar do tempo, esses portais foram evanescendo, e este mundo foi "esquecido" por nós. Daí o nome "Reinos Esquecidos".

Além disso, esta versão de Forgotten Realms não traz nenhum dos vícios e defeitos do período pós “Guerra dos Avatares”, e em muitos aspectos é bastante similar a Greyhawk, ou mesmo Mystara. O cenário é apresentado na forma de uma enciclopédia, e as descrições de lugares não são tão minuciosas quanto nos suplementos posteriores mas, ainda assim, contém idéias criativas para alimentar diversas campanhas por várias sessões. A maioria dos NPC’s apresentados estão por volta do 9º nível – e os verdadeiramente poderosos, como Elminster, aparecem apenas como “parte do cenário”, e não como os super-heróis onipresentes que tiram os PC’s da ribalta. Os adversários e ameaças são interessantes, perigosos e atuam quase exclusivamente em escala regional.

Mais importante, o cenário da caixa cinza é apresentado como um lugar onde o mal espreita em cada canto e que, por isso, necessita desesperadamente de heróis, e não meros “aventureiros”. Em outras palavras, é um cenário muito bom para uma campanha de fantasia heróica que valoriza a exploração e o desenvolvimento do cenário pelo grupo.

Se você gosta de Forgotten Realms, e principalmente se você não gosta, faça um favor a si mesmo: ignore tudo o que foi publicado após a famigerada “Guerra dos Avatares”. Tente obter uma cópia do Forgotten Realms Campaign Set, a famosa caixa cinza. Leia o material sem preconceitos, e você descobrirá, como eu descobri, um grande cenário de RPG.

Quem sabe, você pode até mudar sua opinião.

Até a próxima,
Ricardo